É preciso falar…


O suicídio é um tema complexo que ao longo dos séculos atraiu a atenção de filósofos, antropólogos, teólogos, médicos, artistas entre outros. Tendo em vista o crescimento do número de pessoas que tiram a própria vida, hoje ele é visto como um problema grave de saúde pública que requer a nossa atenção.

Segundo estudo feito pela Daiane Borges Machado e Darci Neves dos Santos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), as pessoas que mais se suicidaram no Brasil, entre os anos 2000 e 2012, foram as menos escolarizadas, indígenas, e homens maiores de 59 anos. Em cartilha publicada este mês pela OMS, são listadas outras causas que influenciam o ato, como o uso de álcool e drogas, perda ou luto e outros transtornos mentais como a depressão e a esquizofrenia.

Entre os jovens, os comportamentos suicidas, muitas vezes envolvem motivações complexas, como a perda de relações românticas, a incapacidade de lidar com desafios acadêmicos e a baixa auto-estima. Em declaração para reportagem do G1, o psiquiatra João Manoel Bartolete considera que “ estudos feitos na cidade de São Paulo sugerem que a falta de perspectiva de vida para muitos jovens, aliada à desatenção e ao despreparo do sistema público de saúde agravam ainda mais a situação”.

A prevenção do suicídio envolve uma séria de atividades, integrando o controle dos fatores ambientais de risco ao tratamento eficaz da desordem mental. Se dispor a se aproximar de pessoas que demonstram sofrimento e apresentam mudanças de comportamento, também é indicado por especialistas. Caso não se sinta capaz de lidar com o problema, Bartolete aconselha a buscar “quem possa fazê-lo mais adequadamente como um médico, enfermeiro, psicólogo ou até um líder religioso”.

 

Rute Rodrigues