Sobre a tristeza e a autenticidade

De 09/09/2016Blog, Vida Cristã

Sabe aquele momento em que você tem a sensação de ter sido jogado sozinho no mar à noite, de repente, do convés de um navio em movimento?


Aquele momento em que você foi traído, desprezado, ofendido, demitido, enganado, que perdeu um ente querido, que terminou um relacionamento. Aquela hora que você sente que feriu alguém, que fez coisa errada, por fim, que pecou.

Escuridão, solidão, enfim, a tristeza passa a ser sua companheira.

E aí pergunto, como lidar com esse sentimento?

Nossa sociedade, no geral, dá várias formas para combater a tristeza. Livros de autoajuda, confissão positiva, medicamentos e drogas, por exemplo. Tudo para promover uma fuga, ainda que só por um momento, um disfarce, uma mentira…

Dentro da igreja percebe-se erro semelhante. Também se usa a arma do disfarce e da máscara.

Cumprimentam com “a paz do Senhor”, e a gente responde “a paz, meu querido” como um protocolo a ser seguido, uma regra de que como crente temos que mostrar que estamos bem, sempre alegres.

Há quem sempre relacione, erroneamente, tristeza com pecado. Isso inibe e distancia aquele que está em uma fase complicada da vida.

É verdade, é difícil encarar a tristeza, é um processo doloroso e ruim, mas é aí que também podemos extrair lições importantes e boas. A dor gera reflexão.

Difícil parar para pensar quando tudo está dando certo.

Quem reflete quando está comemorando um gol do seu time, quando está frente a um banquete, na hora que recebe um aumento de salário ou namorando?

A tristeza no rosto torna o nosso coração melhor. É assim que está escrito em Eclesiastes 3.7.

Quem está satisfeito, que não precisa se adaptar, que foge da dificuldade e que não se incomoda com nada, pouco cria ou produz. Ficamos mais sensíveis quando estamos tristes. Inclusive à voz de Deus. A disposição para orar cresce na medida em que sofremos.

Alguém disse: “Deus trabalha no turno da noite”. Enquanto você chora, Deus ouve o seu clamor. “Por isso não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; Eu o segurarei com a minha mão direita vitoriosa” (Isaías 41:10).

Deus não te abandonou. Você não está sozinho.

Procuremos ser autênticos e verdadeiros com nós mesmos, com nossos irmãos e principalmente com Deus. Somente assim podemos começar a tratar aquilo que nos causou feridas e que nos angustia, só assim podemos ouvir a voz de Deus e dar um passo adiante, rumo à mudança e à alegria.

 

 

Rodolfo Malkov