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“Cada um exerça o dom que recebeu para servir os outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas.”

1 Pedro 4:10 (NVI)

 

Algo que o secularismo tem usado para tentar impedir que os crentes professem a verdadeira fé é a relativização da religião. Há alguns em nosso meio que chegam a dizer que a religião não deve afetar certos aspectos da vida, como, por exemplo, o trabalho; outros, porém, enxergam a religião como uma série de obrigações que devem ser cumpridas para que possam adquirir bênçãos. Entretanto, a verdade é que, o cristianismo consiste num modo de vida radical taxado pelo mundo de loucura, como afirmou o apóstolo Paulo; com efeito, deixamos que um livro antigo nos diga como devamos agir e seguir um ser humano de dois mil anos que se auto denomina o Deus absoluto, único digno de adoração, e mais, dizemos que somos livres quando nos tornamos escravos dEle. Sim, os cristãos agem dessa forma distinta do resto do mundo.

E é justamente sobre ser escravo, que quero elucidar hoje. Algumas de nossas traduções trazem o termo grego doulou traduzido como servo, porém a palavra tem um significado original mais profundo que isso, isto é, escravo que transcreve bem o significado do sentido do texto no seu contexto, pois fomos comprados pelo sangue precioso de Jesus Cristo para servirmos ao nosso Senhor, para sua honra e glória.

Mas não podemos falar de serviço sem, entretanto, falar primeiro do nosso relacionamento com Deus, pois se de fato temos um relacionamento verdadeiro com o Pai, por meio de Jesus Cristo, o Espírito Santo, por sua vez, opera em nós, tanto o querer quanto o efetuar (Fp 2:13), mnos santificando para parecermos cada vez mais com o Senhor (Rm 8:29), porém a santificação necessita da nossa cooperação.

Partindo, então, do princípio de se parecer com Cristo, que é a santificação: Cristo se esvaziou e se tornou servo, e ainda foi obediente (Fp 2:7-8). Há maior exemplo para nós senão o do Soberano Deus servindo aqui na Terra? E à semelhança de que Ele é Filho de Deus, fomos feitos filhos também, adotados segundo a misericórdia do Senhor (Rm 8:15-16), portanto, somos família de Deus, e, como família, devemos crescer e permanecer unidos, pois essa união se expressa na analogia que a Bíblia faz, a saber, chamar a Igreja de Corpo de Cristo, mque possuem muitos membros, unidos, mas cada um com sua função. Portanto, uma das prioridades do serviço do crente deve ser sua congregação, que é a família da fé. Pessoas vêm à igreja se perguntando se o louvor é bom, se tem profecia, ou seja, querem saber como elas podem ser servidas, mas não se importam em saber se a congregação segue de fato a Palavra, e muito menos querem saber de servir. Para a Igreja local, o Espírito Santo capacita os membros para que a edificação possa acontecer entre os membros, para isso Cristo subiu aos céus e deu dons aos homens (Ef 4:8).

Encontramos em 1 Coríntios 12 os dons que Deus dá para a edificação da igreja, em Efésios 4:11-15 os dons ministeriais para aperfeiçoamento dos santos e em Romanos 12:4-8 os dons para manutenção do Corpo, e todos eles precisam estar acompanhados de amor para que sejam utilizados da maneira correta, pois os dons sempre devem ser usados em prol do coletivo e para a igreja. Aquele que verdadeiramente segue a Cristo anseia ser usado pelo Espírito, para a edificação da Igreja, e é necessário que cada um sirva com o dom que lhe é dado, aquele que não serve acaba defasando o Corpo e fazendo o outro trabalhar muito mais, assim como em qualquer outro grupo organizado, o membro acaba sendo, portanto, injusto e demonstrando cada vez menos amor pelo irmão, contrariando quando Paulo diz para buscar dons mais excelentes (1Co 12:31; 14:1, 39).

Até aqui vimos que o cristão deve, primeiramente, entender que, deve professar a verdadeira fé e reconhecer que faz parte da Igreja, a família de Deus, que existe para Seu louvor e glória. Para isso, antes de buscar os dons do Espírito para a edificação, é necessário que se busque o conhecimento da Palavra de Deus, pois a Escritura detém a autoridade máxima, já que é ela que revela a vontade de Deus aos homens e possui o parâmetro para julgarmos todas as coisas, tanto dos dons espirituais quanto o nosso caráter. Por isso, uma igreja saudável tem a Palavra de Deus como central em sua vida e deve ser ministrada por todos os membros (Cl 3:16), esse é o sacerdócio universal dos santos ensinado pelo Apóstolo Pedro (1Pe 2:5,9). Sim, somos sacerdotes, pois através de nosso sumo sacerdote, Jesus Cristo, temos acesso a Deus, e por meio de Sua Palavra podemos ministrar uns aos outros, por meio da doutrina, oração e louvores.

Com a Palavra de Cristo sendo abundante em nosso ser, podemos estar aptos para sermos bons obreiros (2Tm 2:15), assim conseguindo servir também fora da igreja. Em Colossenses 3, logo após falar da importância da Palavra, o Apóstolo Paulo fala do relacionamento na família de sangue, pois a Palavra deve instruir os filhos e os pais através da pregação do evangelho, o mesmo deve ocorrer em nosso trabalho, e mais – as pessoas do mundo inteiro precisam ouvir o evangelho.  Aqui entra outro ponto importante: a pregação do evangelho deve ser central na vida da igreja, para espalhar as boas novas, pois para isso a Igreja foi criada, a fim de constituir a família de Deus, onde mais filhos serão adotados.

É pela pregação do evangelho que se anuncia as boas novas. A carta de Tiago mostra um ponto importante a ser frisado, a saber, ela apresenta que nossa fé sem obras é morta. Ela trata das boas obras, do amor fraternal entre irmãos e da hospitalidade para com os órfãos e as viúvas, em outras palavras, os necessitados; essa disposição é marca de nossa santificação em Cristo.

Concluindo a nossa reflexão, vemos que o cristão deve fazer com que a Palavra de Deus esteja firme em sua vida, para que ele possa estar apto a ministrar o seu lar e, como Igreja, fazer o possível para permanecer unido à seus irmãos, exercendo os dons e as boas obras, pregando o evangelho para cumprir o fim último que é, dar honra e glória ao Deus Todo Poderoso.

 

 

Lynecker Santos