O som do silêncio

De 11/10/2016Blog, Vida Cristã
silencio

Silêncio, às vezes, é tudo que eu peço a Deus. Silêncio ao meu redor, mas principalmente quietude de mente.

Estamos cheios de barulhos ao nosso redor – perdoe-me te incluir nessa -, mas a verdade é que estamos fartos disso e não nos damos conta. É a buzina do trânsito, o barulho das construções, a agitação das ruas, os clientes, o chefe e a multidão que no vai e vem da rotina.

E como somos pressionados.  A crescer, mudar, melhorar, crescer mais, ser melhor. Essa pressão é extremamente barulhenta e cansativa. Querem que sejamos os melhores na escola, no vestibular na igreja, nos esportes no trabalho… Temos que ser bons com nossos pais, irmãos, esposa, marido, amigos, inimigos, temos que amar, temos que ser santos, evangelizar e dar bom testemunho. Ainda assim nada é suficiente, porque no fim a gente vai errar e chegar à conclusão de que somos um bando de pecadores medíocres.

Sim, somos medíocres! A maioria de nós pelo menos, eu com certeza, e provavelmente você também, só que nos forçam a não admitir isso. Querem que você seja o vencedor, o rico o mais desejado. Falam que não podemos parar, dar uma pausa nas atividades. Retroceder jamais!

No entanto, precisamos do silêncio. Não somente para dormir ou simplesmente relaxar, mas para tentar nos ouvir e nos entender. Para nos sensibilizarmos com as pessoas que estão ao nosso redor, para nos tornarmos sensíveis à Deus.

Só que aí eu me lembro das contas a pagar . Que eu tenho que resolver um monte de coisas e também crescer profissionalmente.Tenho que consumir, fazer o capital girar. Aff…

Eu sei, você sabe. Conquistar e fazer coisas é muito bom e o trabalho é necessário. Uma vida produtiva é desejável, e se equilibrada, sem dúvida, sadia.

Mas hoje eu clamo pelo deserto. Porque foi lá que meu Mestre foi-se retirar, foi lá que Ele encarou o diabo. Porque no barulho não conseguimos saber quem é ou como se manifesta o inimigo da nossa alma.

Eu quero trilhar pelo caminho onde só há chão, céu e árvores ao meu redor. Nesse caminho só há o barulho do vento batendo nas folhas das árvores. Porque quem sabe ali eu vou poder ouvir também o vento do Espírito Santo soprar e me consolar.

Eu quero um lugar frio. Árvores com galhos secos me cercando. Vento cortante. Nariz adormecido. Porque ali eu sei que os braços acolhedores do Pai vão me aquecer.

Eu quero o lugar mais sombrio. A caverna mais escura, mais distante. Porque no vale das sombras da morte encontrarei finalmente com Deus, minha luz e salvação. Ou quem sabe, como na Caverna de Adulão, assim como Davi, encontre os meus parceiros de vida.

 

Rodolpho Malkov