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março 2017

Serviço

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“Cada um exerça o dom que recebeu para servir os outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas.”

1 Pedro 4:10 (NVI)

 

Algo que o secularismo tem usado para tentar impedir que os crentes professem a verdadeira fé é a relativização da religião. Há alguns em nosso meio que chegam a dizer que a religião não deve afetar certos aspectos da vida, como, por exemplo, o trabalho; outros, porém, enxergam a religião como uma série de obrigações que devem ser cumpridas para que possam adquirir bênçãos. Entretanto, a verdade é que, o cristianismo consiste num modo de vida radical taxado pelo mundo de loucura, como afirmou o apóstolo Paulo; com efeito, deixamos que um livro antigo nos diga como devamos agir e seguir um ser humano de dois mil anos que se auto denomina o Deus absoluto, único digno de adoração, e mais, dizemos que somos livres quando nos tornamos escravos dEle. Sim, os cristãos agem dessa forma distinta do resto do mundo.

E é justamente sobre ser escravo, que quero elucidar hoje. Algumas de nossas traduções trazem o termo grego doulou traduzido como servo, porém a palavra tem um significado original mais profundo que isso, isto é, escravo que transcreve bem o significado do sentido do texto no seu contexto, pois fomos comprados pelo sangue precioso de Jesus Cristo para servirmos ao nosso Senhor, para sua honra e glória.

Mas não podemos falar de serviço sem, entretanto, falar primeiro do nosso relacionamento com Deus, pois se de fato temos um relacionamento verdadeiro com o Pai, por meio de Jesus Cristo, o Espírito Santo, por sua vez, opera em nós, tanto o querer quanto o efetuar (Fp 2:13), mnos santificando para parecermos cada vez mais com o Senhor (Rm 8:29), porém a santificação necessita da nossa cooperação.

Partindo, então, do princípio de se parecer com Cristo, que é a santificação: Cristo se esvaziou e se tornou servo, e ainda foi obediente (Fp 2:7-8). Há maior exemplo para nós senão o do Soberano Deus servindo aqui na Terra? E à semelhança de que Ele é Filho de Deus, fomos feitos filhos também, adotados segundo a misericórdia do Senhor (Rm 8:15-16), portanto, somos família de Deus, e, como família, devemos crescer e permanecer unidos, pois essa união se expressa na analogia que a Bíblia faz, a saber, chamar a Igreja de Corpo de Cristo, mque possuem muitos membros, unidos, mas cada um com sua função. Portanto, uma das prioridades do serviço do crente deve ser sua congregação, que é a família da fé. Pessoas vêm à igreja se perguntando se o louvor é bom, se tem profecia, ou seja, querem saber como elas podem ser servidas, mas não se importam em saber se a congregação segue de fato a Palavra, e muito menos querem saber de servir. Para a Igreja local, o Espírito Santo capacita os membros para que a edificação possa acontecer entre os membros, para isso Cristo subiu aos céus e deu dons aos homens (Ef 4:8).

Encontramos em 1 Coríntios 12 os dons que Deus dá para a edificação da igreja, em Efésios 4:11-15 os dons ministeriais para aperfeiçoamento dos santos e em Romanos 12:4-8 os dons para manutenção do Corpo, e todos eles precisam estar acompanhados de amor para que sejam utilizados da maneira correta, pois os dons sempre devem ser usados em prol do coletivo e para a igreja. Aquele que verdadeiramente segue a Cristo anseia ser usado pelo Espírito, para a edificação da Igreja, e é necessário que cada um sirva com o dom que lhe é dado, aquele que não serve acaba defasando o Corpo e fazendo o outro trabalhar muito mais, assim como em qualquer outro grupo organizado, o membro acaba sendo, portanto, injusto e demonstrando cada vez menos amor pelo irmão, contrariando quando Paulo diz para buscar dons mais excelentes (1Co 12:31; 14:1, 39).

Até aqui vimos que o cristão deve, primeiramente, entender que, deve professar a verdadeira fé e reconhecer que faz parte da Igreja, a família de Deus, que existe para Seu louvor e glória. Para isso, antes de buscar os dons do Espírito para a edificação, é necessário que se busque o conhecimento da Palavra de Deus, pois a Escritura detém a autoridade máxima, já que é ela que revela a vontade de Deus aos homens e possui o parâmetro para julgarmos todas as coisas, tanto dos dons espirituais quanto o nosso caráter. Por isso, uma igreja saudável tem a Palavra de Deus como central em sua vida e deve ser ministrada por todos os membros (Cl 3:16), esse é o sacerdócio universal dos santos ensinado pelo Apóstolo Pedro (1Pe 2:5,9). Sim, somos sacerdotes, pois através de nosso sumo sacerdote, Jesus Cristo, temos acesso a Deus, e por meio de Sua Palavra podemos ministrar uns aos outros, por meio da doutrina, oração e louvores.

Com a Palavra de Cristo sendo abundante em nosso ser, podemos estar aptos para sermos bons obreiros (2Tm 2:15), assim conseguindo servir também fora da igreja. Em Colossenses 3, logo após falar da importância da Palavra, o Apóstolo Paulo fala do relacionamento na família de sangue, pois a Palavra deve instruir os filhos e os pais através da pregação do evangelho, o mesmo deve ocorrer em nosso trabalho, e mais – as pessoas do mundo inteiro precisam ouvir o evangelho.  Aqui entra outro ponto importante: a pregação do evangelho deve ser central na vida da igreja, para espalhar as boas novas, pois para isso a Igreja foi criada, a fim de constituir a família de Deus, onde mais filhos serão adotados.

É pela pregação do evangelho que se anuncia as boas novas. A carta de Tiago mostra um ponto importante a ser frisado, a saber, ela apresenta que nossa fé sem obras é morta. Ela trata das boas obras, do amor fraternal entre irmãos e da hospitalidade para com os órfãos e as viúvas, em outras palavras, os necessitados; essa disposição é marca de nossa santificação em Cristo.

Concluindo a nossa reflexão, vemos que o cristão deve fazer com que a Palavra de Deus esteja firme em sua vida, para que ele possa estar apto a ministrar o seu lar e, como Igreja, fazer o possível para permanecer unido à seus irmãos, exercendo os dons e as boas obras, pregando o evangelho para cumprir o fim último que é, dar honra e glória ao Deus Todo Poderoso.

 

 

Lynecker Santos

Aprendendo com o Carnaval

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“É de “Alele, Ile e ilejá”. Essa foi a “Quizomba” de um povo feliz, que acredita que não desiste que trabalha muito. A nossa sorte é ter um povo como o nosso, povo que trabalha muito que faz mutirão alegre e feliz.”
Eduardo Santos – Presidente da Escola Acadêmicos do Tatuapé.
http://g1.globo.com/…/academicos-do-tatuape-e-a-campea-do-c…


Essa foi uma das primeiras falas do Campeão do Carnaval 2017 em São Paulo. Ouvi muitas outras, onde o que mais se destacou foi a gratidão e a dedicação de todos os integrantes da escola, que investiram muito tempo e dinheiro, noites em claro, mutirões para que tudo saísse perfeito, tudo lindo! E ao que podemos notar todo o sacrifício dessa galera valeu a pena, pois foram recompensados com o titulo de campeã.

Fiquei muito pensativo ao ver a entrevista e coloquei-me a pensar na situação da Igreja Evangélica no Brasil. Nesse mesmo feriado muitos “crentes” estavam em seus “retiros espirituais”, outros, como eu curtindo a família, outros evangelizando (e sendo criticados), outros dançando e desfilando literalmente no carnaval, outros fazendo proselitismo às suas ideias e convicções doutrinárias, outros criticando tudo, e muitos, muitos mesmo não fazendo nada.

Fiz-me a pergunta: Porque o cristão investe tão pouco em sua vida ou nas atividades cristãs quando são convocados por sua igreja, mas investem tanto em coisas que aparentemente são tão irrelevantes.

Temos perdido tanto tempo nos atacando e investindo tão pouco na pregação do evangelho, em missões, em ações sociais, em servir ao próximo, em servirmos dentro da nossa igreja, da nossa comunidade.

Nas redes sociais, só vemos ataques, não ao pecado, mas ao irmão que pensa “soteriologicamente” diferente.

Igreja acorda!!!

Tanta gente pagando caro, investindo alto para ir direto para o inferno e o que estamos fazendo?

Precisamos, como igreja, fazer a diferença para o Reino de Deus, não para o seu “pastor”. Precisamos buscar mais a Deus.

Sair das quatro paredes. E para isso buscarmos o poder do Alto.

“A maior necessidade [da igreja} dos nossos dias, é o poder do Alto”. (Charles Finney)

Pelo visto temos muito que aprender com o carnaval.

Os membros das Escolas de Samba são unidos, ajudam-se, não são preguiçosos, investem muito do seu tempo e do seu dinheiro. Não medem esforços para o que eles chamam de “ o grande dia”.
Fazem tudo para conquistar seus objetivos (ainda que nós os “evangélicos” nos reservemos o direito de os criticá-los).

Uma fantasia de Carnaval, das mais simples, chega a R$ 1.000,00. Quando mencionamos R$ 50,00 para um passeio entre os “irmãos da Igreja”, é caro, ninguém tem tempo ou dinheiro.

Carnavalescos se revezam em diversas atividades para que a produção na escola não pare. Muitos trabalham o dia inteiro e à noite vão servir nas suas respectivas escolas varando a noite. E quando perguntados o porque de tudo isso, a resposta é a seguinte: Amor. Eu amo a minha escola! (Como eu ouvi isso).

Na igreja, poucos são os crentes que participam de uma Vigília de Oração, de uma Escola Bíblica, de estarem em comunhão. Ah! eles também dizem amar a Deus e também sua igreja.

“Há maior número de pessoas dispostas a se afastar do pecador do que dispostas a se afastarem do pecado.” (Dwight L. Moody)

No ano de comemoração dos 500 Anos da Reforma, tenho a impressão de que essa reforma está longe de terminar.

Precisamos falar menos e fazer mais. Até que Ele volte!

“Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.” Rm 1.16

“Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá.” Ef 5.14

Só para lembrar, eu também, assim como você, sou igreja.

Pr. André Enrique